quarta-feira, 24 de abril de 2013

Dores caladas me são arrepios
Nunca se sabe o que sentem
Como sentem
Ou se sentem
Há um Que maior
em não sentir
Um Que doloroso
esse vazio!
Hoje a noite eu me toquei, hoje a noite eu me toquei toda. Até ar me faltou quando me enfiaram versos até a goela. Me toquei no ar do sinto muito. sinto muito agonia! Sinto muito Poesia!
Minha tristeza se drogou
E nem sabe mais quem é
Só sabe quem sou
Quem fui
Mas não sabe quem serei
Nem quem restou

Minha tristeza se drogou
E pensa ser eu
Eu já não penso
Já não acordo
Já não me perco
Só me desencontro
Só me drogo de mim

És uma farsa!
És uma faca que se agarra na cerra
Na hora da resguarda
O sangue que derrama é culpa tua
A CULPA É TUA!

Gemo e temo essa agonia pré-possuída
A tortura de não ter mais sede
Um culto de dissimulação há muito descoberto
E recém interpretado!

Toda essa revolta é de alguém que se nega a hipocondria!
Se ninguém pudesse sentir, o faria torto
E eu? Sofro de levianismo agudo, não me nego mais
Se és a mesma
Se não mudas-te nunca
Então nunca amei a ti
Amei a mim mesma em ti refletida

Não abraço mais o nada nem a ninguém
Nem respiro fundo junto a rosto
Só me quero viva em (minhas) palavras

Onde estão?
Onde estão aquelas vozes marcadas
Aquelas consciências vorazes que
Em mim sacudiam?

Onde estão os loucos que me subvertiam?
ONDE ESTÃO OS LOUCOS QUE ME SUBVERTIAM?

Só me quero viva no inconsciente
Quero que me matem, ME MATEM
Se um dia estiver sã

Floresce em mim,
Fruto de esquizofrenia contínua.
Floresce em mim toda crença
Que deverias crer
Toda crença de possuir o SER

CARREGA-ME CONTIGO
Amor
Que em cada fragmento efêmero
De sentidos...
EM CADA FRAGMENO EFÊMERO DE SENTIDOS
PERDEMOS O SENTIDO QUE POSSUÍAMOS
E hoje somos só
Sensações

Não recito
EU GRITO
EU GRITO!
Flui em mim
Todo o instante
Todo instante pertencido
Ao
E—XIS--TIR

quinta-feira, 28 de março de 2013

Até o cantar(res) dos pássaros me dissolve nessa terra. Há um sentir imaculado nos orgasmos que tive. Eu vivo em ser, em é, e é em estar. Eu gozo em olhar árvores, eu lambo peles feitas de areia. Masturbo essa ânsia de querer explodir em vida e de beijar a lua. Uivo uma vez por mês, durante alguns dias, e me submeto a irresponsabilidade do sentir desenfreado. Não me freie! Não me freie nunca, que não tem escapismo melhor do que acordar e continuar em sonho. Minhas mãos tremem constantemente com a emoção do instante. Esse instante que chuto e que engulo. Esse instante que cospe na minha cara dizendo que o prazer... Ah... O prazer é onisciente e onipresente, e que a gente só goza pelo fato de estar vivo.

Ela é louca! Ela é louca de jogar versos na Lua!

(E fala de amor quando vê nuvens brilhando...)

sábado, 23 de março de 2013

Como podes, Ultimo Romance?
Como podes ser lembrança de sentir
Se doente acho
o sentir imortal?

Me apodrece cada gosta que não cai
Meus olhos secos mais parecem vidros
Beijo bocas com ânsia de sugar almas
Beijo almas com a ânsia de sentir a minha

Mas tu, Ultimo Romance
Me beija só com olhos

Meu coração hipotérmico
Alega que sem afeto,
Só se afeta mais embaixo

E o que sonho
É um amor doido que acha que (é) são
E seremos

domingo, 17 de março de 2013


Sinto meu corpo quente e meus pés gelados
Sinto tanto o mundo
Que acho que estou doente

Gosto de sentir as pessoas
E tenho medo de fazê-las tristes
Por gostar de sentir as pessoas

Reclamam de mim
Pois não sou pontual
E respondo mentalmente
“Que só o sol é pontual nesse mundo”

Mas gosto de ir ao ponto
Chegar ao ponto pontualmente
E tocar no ponto exato
 da (v)ida

Vi uma mulher sorrindo
Ela andava de bicicleta
Rindo das pessoas na rua

Eu também senti vontade
De rir das pessoas na rua
Ai notei que eu era
Uma das pessoas na rua

E chorei rindo de mim

Quanto osso, quanta carne, quanto céu
Quanto olho de fraude, quanto boca com gosto de mel
Quanta mulher gostosa que como com gosto de fel

E quantas vezes estalo os lábios com sede de querer
E quantas vezes quero com sede de comer
E as vezes como com sede de lábios e de prazer

Devoro os signos do teu eu
Devoro cada bocado de sombra
Devoro teu destino no zodíaco  
E me enveneno com todo teu gosto

Luto contra César
Contra Gregos e Poetas
Luto contra Aquiles e seu grito
Africanos e seus mitos

Luto contra Deus e o Papa
Portugueses e seus mapas
Só pra te comer.

Angustia em pensar nos quereres
Uma mão seca me agarra a garganta
Um monstro triste toma conta dos abismos que fiz
Carregando-me no ontem da rutilância

Nossos pés de poesia hermética
Nossa vida e eterna novidade de viver
Embriago-me de sua alma enquanto posso
E enquanto estranho a minha e como meu próprio ser

Que agonia (in)significante!
Que desperdício de teorias promissoras
Mudarei meu olhar para um farol
E roubarei dois ou um lençol
Pra me enrolar de desejos flutuantes

E digo agora e nunca mais:
Desejo tudo mais que tudo
Desejo o sol queimando e limitando minha carne
Desejo me apaixonar pelos olhos da lua
Desejo que a noite me envolva de névoa
E suma com minha existência nua e crua