sábado, 20 de dezembro de 2014

"Enquanto divago
Sobre o beijo
Não dado
Te imagino nua
Sem foco
Te imagino sua
Se dando
Para
Mim"

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Cachos perdidos em água, 
Nada.
Mente perdida em voz,
Nós. 
Arrepio quando penso no tempo
Penso que pode não ser tempo
Envergonho-me,
Desatento
Tento, vento, lento, penso.

Acendo um cigarro,
Trago
Comigo um gosto dúbio
Gostando do teu gosto
Sem gostar

(Ás vezes gosto mais de cervejas quentes que gente
E trago mais sorrisos que cigarros)

E me perco nos seus cachos
Mais leves que o (m)ar

(E estou e sou presente
Pra Alguém
Que não se pode identificar)
Não se rima coração
NÃO! 
São todos desnuviados,
Descontidos e estuprados
Me dou bem com outras mãos.

Só que às vezes canso, 
Desfoco meu olhar sobre outro, confortável
Me aconchego, cheiro, descanso...
E no final, como em qualquer canto,
Adormeço.
O tempo não me importa:
O que sei eu sobre o tempo?
Me deito a escrever linhas incompletas
E nada me interessa além da incompletude das coisas
E dos corações
Sem rima

(Fernanda Protásio)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Dores caladas me são arrepios
Nunca se sabe o que sentem
Como sentem
Ou se sentem
Há um Que maior
em não sentir
Um Que doloroso
esse vazio!
Hoje a noite eu me toquei, hoje a noite eu me toquei toda. Até ar me faltou quando me enfiaram versos até a goela. Me toquei no ar do sinto muito. sinto muito agonia! Sinto muito Poesia!
Minha tristeza se drogou
E nem sabe mais quem é
Só sabe quem sou
Quem fui
Mas não sabe quem serei
Nem quem restou

Minha tristeza se drogou
E pensa ser eu
Eu já não penso
Já não acordo
Já não me perco
Só me desencontro
Só me drogo de mim

És uma farsa!
És uma faca que se agarra na cerra
Na hora da resguarda
O sangue que derrama é culpa tua
A CULPA É TUA!

Gemo e temo essa agonia pré-possuída
A tortura de não ter mais sede
Um culto de dissimulação há muito descoberto
E recém interpretado!

Toda essa revolta é de alguém que se nega a hipocondria!
Se ninguém pudesse sentir, o faria torto
E eu? Sofro de levianismo agudo, não me nego mais
Se és a mesma
Se não mudas-te nunca
Então nunca amei a ti
Amei a mim mesma em ti refletida

Não abraço mais o nada nem a ninguém
Nem respiro fundo junto a rosto
Só me quero viva em (minhas) palavras